Revista Coletivo 21: Nos bastidores da escrita

– Sérgio Fantini –

Meu conto “A rainha do Egito” (in “A ponto de explodir, 2008) começou a ser escrito muito tempo atrás, quando me apaixonei pela canção “Rainha do Egito”, de Jorge Mautner. Gosto de cantarolá-la sempre. Há este trecho: sou uma dessas meninas que anda descalça e a pé. Numa certa manhã nublada de 2006, bem cedo, vi uma mocinha descalça, carregando as sandálias na mão. Tinha o ar feliz de quem estava saindo de uma boa noitada…Fiquei com aquela imagem, bonita, sfumata, por meses, até que, uma noite, jantando num restaurante de bairro elegante de BH, notei, na mesa depois da nossa, duas mocinhas conversando, uma delas com as pernas dobradas, pés descalços…Imediatamente a canção do Mautner tocou na minha cabeça. Junto com a frase: “Às duas da madrugada, Dayse está dançando…”

Por alguns segundos, não ouvi o que meus amigos falavam. Via trechos de um filme com essa tal Dayse, que não era a mocinha da manhã nem aquela ali: era uma personagem se exibindo, feliz, fazendo alguma coisa que eu precisava descobrir o que era.Mais tarde, às cinco da madrugada, acordei com essa Dayse me cutucando. Peguei o caderno e durante duas horas escrevi sua história: ela é uma garota de programa que furta as carteiras de seus clientes. Claro que, ao final, de manhã, ela está na rua, descalça e feliz.Detalhe (lição de desapego): durante as primeiras versões deste conto, o nome dela foi esse, até eu me incomodar com o som de “Dayse se (levanta, senta etc.). Simples: mudei seu nome pra Sheyla.

Para ler o conto clique em “A rainha do Egito”. A ilustração é de Cláudio Martins.

 

Compartilhar este!

Assine nosso feed RSS. Tweet isso! StumbleUpon Reddit Digg isso! Bookmark on Delicious Compartilhe no Facebook

Deixe uma resposta

*

*

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados *