Tag Arquivo: Sérgio Fantini

E Fez-Book 5

– Sérgio Fantini –

 

Estou pensando que o meu 2011 foi, até agora, tão suingado, que merece um balanço.

Trabalhei as duas oficinas semestrais de conto no Letras e Ponto; dei várias oficinas de leitura nos centros culturais da Fundação; lancei um livro de contos, Silas, pela Jovens Escribas, em BH, Natal, João Pessoa, Fortaleza, Recife, São Paulo e Rio; participei, ao lado de outros 22 camaradas, da criação do Coletivo 21, que lançou uma antologia homônima pela Autêntica, em BH e São Paulo; tive um conto e um trecho do Diz Xis incluídos nas antologias Rock Book – contos da era da guitarra (Prumo) e Aos pés da letra (Annablume), respectivamente; a editora Saraiva lançou meu primeiro livro para crianças, A Baleia Conceição; dei oficina de leitura para 40 estudantes de Letras e Pedagogia na 1ª Ação Potiguar de Incentivo à Leitura, em Natal; dei oficina de conto para dez escritores de Jaraguá do Sul/SC, na sua 1ª Semana do Livro; participei de mesas no Fórum das Letras, em Ouro Preto, na Balada Literária, em São Paulo e na APIL, em Natal.

Escrevi, li, troquei informações com meus companheiros, fiz uma e outra revisão literária, gravei para os programas Imagem da Palavra e Entrelinhas…

Um bom ano, sem dúvida. Sem ponto final.

 

 

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E Fez-se Book 4

 

– Sérgio Fantini –

 

Estou pensando na oficina de leitura que dei em Natal/RN nos dias 19, 20 e 21 de outubro. Foram três tardes com quarenta estudantes de Letras e Pedagogia. Dentre eles, Thiago Gonzaga (http://101livrosdorn.blogspot.com/).

Cuja história eu resumo aqui: até 2004, ele tinha apenas a 3ª série do Fundamental, e já era quase adulto. Um dia, como num conto de fadas, viu uma foto de uma moça bonita no jornal que embrulhava “o peixe de ontem”. Agradou de olhar e ficou curioso sobre o que o texto dela dizia. Leu, gostou e naquele momento decidiu: “vou estudar Letras para poder ler e falar de literatura para as pessoas”.

Neste dezembro de 2011, ele se forma em Letras, ou seja: em sete anos ele se alfabetizou, passou no concurso de fiscal da prefeitura, passou no vestibular e está prestes a realizar seu sonho através de um projeto a que se candidatou: viajar divulgando a literatura potiguar e tantas outras a que teve acesso.

Detalhe 1: o primeiro livro que ele leu completo foi de Carlos Fialho, capo da editora Jovens Escribas, que editou meu Silas este ano.

Detalhe 2: a moça bonita do jornal é Clotilde Tavares (O verso e o briefing: a publicidade na literatura de cordel, Jovens Escribas), escritora de Campina Grande, irmã de Bráulio Tavares a quem ela, conforme me confidenciou na mesa do bar Onde o vento faz curva (excelente batata com filé), ensinou a ler-escrever e tocar violão.

 

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E Fez-se Book 3

 

– Sérgio Fantini –

 

Estou pensando na literatura feita para crianças. Melhor: em algumas pessoas que escrevem para crianças. E que lançaram seus primeiros livros por estes dias.

Como Ana Elisa Ribeiro, professora doutora e poeta e cronista. Seu livro mais recente de poesia se chama Fresta por onde olhar. Muito bom. Ajudei na concepção da capa (casa do Bruno e Lelé, churrasco). E seu primeiro livro para crianças é Sua mãe (Autêntica). Tão bom quanto tudo o que Ana faz.

E Rosaly Senra, bibliotecária que é jornalista, responsável por um dos melhores programas de rádio sobre literatura, o Universo Literário. Rosaly, como o inesquecível Alécio Cunha, lê os livros e tudo o que for possível antes de entrevistar os escritores. Sua estreia no reino infantil é Otto (Peirópolis). Que estava no lançamento, ao vivo, autografando com a tia.

Há também Ana Carolina Neves, cujo Pantanáutilus (FTD) eu pude ler no original há algum tempo e contribuir com sugestões críticas. Mestre Antonio Barreto também leu e criou este título perfeito. Ele também assina as orelhas do livro. Ana é bióloga, doutora, e a perícia com as palavras a coloca bem próxima de seu pai, o grande Jeter Neves.

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E Fez-se Book 2

— Sérgio Fantini —

Estou pensando na sorte que tenho como leitor. Além de ter lido caras pouco lidos pela imensa massa de leitores nacionais e ainda ter podido trocar correspondência pessoal e impressões com eles, leio originais.

Desses, há dois blocos: os trabalhos produzidos nas oficinas que dou e os amigos que me dão a honra de ler os seus. Aliás, por manter essa prática há muitos anos (trocar originais para revisão crítica), passei a dar oficinas formalmente em 2004, no Festival de Inverno de Diamantina, por indicação de Ricardo Aleixo.

E com ele começo esta prosa de versos.

Desde que nos conhecemos, temos trocado impressões que vão das digitais dos copos de cerveja a teoria da literatura – da nossa literatura, claro. Pude manusear os originais letra-setados de Festim, saboreando a batida de limão de seu Américo e, mais recentemente, os poemas não gráfico-visuais de Modelos Vivos. Para mim estava claro que Rique estava com seus poemas mais completos, aquele era seu livro da maturidade. Vê-lo pronto, com projeto de Bruno Brum e do próprio R.A., na profissional e caprichada edição da Crisálida, foi ter a sensação de que passar um ano entre os humanos pode valer a pena.

Por falar em Bruno Brum, ele acaba de lançar Mastodontes na sala de espera, também pela Crisálida. O livro venceu o concurso de poesia do governo do estado de Minas, mas isso nunca será o bastante para o verdadeiro poeta. Brum editaria o livro e precisava editar aquele material pensando no objeto que o conteria. A parte visual ele faz de olhos fechados, pois é profissional da área. O diabo é se contentar com o que se tem, ainda mais depois de ganhar prêmio. Outros amigos seus deram seus pitacos (e o título? Onde está o título?) e eu fui talvez o último a fazê-lo. Tenho um baita orgulho desse Mastodontes.

Assim como de A fera incompletude, que Fabrício Marques lançou neste setembro, pela Dobra. Li parte dos originais faz mais de ano. Na hora do autógrafo, o poeta me lembrou de detalhe do que lhe disse à época. E já comecei a ler no ônibus para casa. E a pensar: que tempo este nosso, que maravilha ser contemporâneo de poetas como Fabrício, que usa o que a poesia permite de lirismo com rara inteligência lingüística e a sensibilidade de quem viveu, de alguma forma, na tábua da beirada.

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E fez-se book

— Sérgio Fantini —

Alguns escritores jamais se tornarão famosos. Acho que os melhores escritores nunca são famosos. Estou pensando em quatro desses, criadores. Sou um leitor privilegiado por conhecer os textos de Uilcon Pereira e Reinaldo Santos Neves e Manoel Carlos Karam e Jamil Snege.

Uilcon morreu e eu não cheguei a encontrá-lo. Quando estive em Marília/SP, na época em que morou lá, chegamos a agendar, mas ele precisou viajar e eu perdi essa. O poeta Eloésio Paulo tem um trabalho bastante bom sobre a obra de UP. O que mais me agrada nela é a ousadia da colagem, longos textos de colagens; o elogio da fofoca, quase tudo reunido na trilogia “No coração dos boatos”.

Reinaldo Santos Neves conheci através de “As mãos no fogo”. Fiquei fã na hora. Depois fiquei amigo, pudemos nos ver duas vezes em bares de praia no Espírito Santo, onde ele mora. De sua produção mais recente há “Kitty aos 22”, “A ceia dominicana” e “A longa história”. Todos ótimos, mas registro o projeto “A crônica de Malemort”: romance passado na idade média, escrito em português, traduzido (e ampliado) para o inglês e, agora, com o patrocínio do projeto “Escritor Residente” da Biblioteca do ES, traduzido para o português e muuuito ampliado novamente, sob o título “A Folha de hera: romance bilíngüe”. Acabo de ler a primeira parte (será uma trilogia). Literatura de altíssimo nível, como tudo o que ele faz. Eu e a meia dúzia de malucos que encaramos suas 451 páginas, aguardamos ansiosos a continuação.

Manoel Carlos Karam me deu a honra de ir ao lançamento de meu “Coleta Seletiva” em Curitiba, onde ele morava. Conversamos pouco, ele tinha que voltar ao trabalho (na TV?), mas guardo uma foto nossa feita pelo Rui Werneck de Capistrano. Seu “Pescoço ladeado por parafusos”, editado pelo Joca Terron, é sensacional. Alguém precisa ver se o Marquinhos, da Mercearia, ainda tem exemplares do saldão da Ciência do Acidente. Mas também morreu, uma pena. Tanto canalha ocupando páginas de jornal e esses caras maravilhosos nos deixando sós.

E o Jamil Snege, que deve ter sido um baita cara legal (inclusive pelas histórias de mal humor que já ouvi contar). Também perdi a chance de conhecê-lo quando estive em CTB, acho que ele estava gripado, algo assim. Autor de “O jardim, a tempestade”, um dos melhores livros que já li. Guardo seus autógrafos carinhosos em “Como eu se fiz por si mesmo” e “Viver é prejudicial à saúde”, entre outros, como preciosidades.

E são, para mim, leitor apaixonado.

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